Um 510(k) custa US$ 28.653 no ano fiscal de 2027 — ou US$ 7.163 para quem se qualifica no programa Small Business. Mas existe uma situação em que esse valor cai a zero para qualquer empresa, de qualquer porte: quando as condições de uso propostas para o dispositivo são exclusivamente pediátricas.
É uma isenção pouco conhecida, prevista em lei, e que muda a conta de quem desenvolve produtos para crianças e adolescentes. Neste artigo, explicamos o que a isenção cobre, o que continua sendo cobrado — porque isso é o que mais gera confusão — e em que situações o benefício se perde.
A previsão está na seção 738(a)(2)(B)(v) do FD&C Act (21 U.S.C. 379j), sob o título Pediatric conditions of use. O texto é direto: nenhuma taxa é devida para uma submissão se as condições de uso propostas para o dispositivo forem exclusivamente para uma população pediátrica.
A isenção não é um desconto — é a dispensa integral da taxa — e vale para:
Repare no ponto central: o que determina o benefício é a indicação de uso proposta, não o tamanho da empresa, o tipo de tecnologia ou o país de origem. Uma multinacional e uma startup brasileira têm exatamente o mesmo direito.
A lei americana define paciente pediátrico como aquele com 21 anos de idade ou menos no momento do diagnóstico ou do tratamento (FD&C Act 520(m)(6)(E)). É um limite mais amplo do que muita gente imagina — adolescentes de 18 a 21 anos ainda contam como população pediátrica.
O FDA trabalha ainda com subgrupos etários, usados na avaliação técnica do produto e descritos no guia Premarket Assessment of Pediatric Medical Devices:
| Subgrupo | Faixa etária |
|---|---|
| Recém-nascido (neonato) | do nascimento até 1 mês |
| Lactente | de 1 mês a 2 anos |
| Criança | de 2 a 12 anos |
| Adolescente | de 12 a 21 anos |
Aqui mora o erro mais caro. A isenção pediátrica alcança apenas a taxa da submissão. Para efetivamente comercializar o produto nos Estados Unidos, a empresa continua obrigada a:
Essa taxa anual tem regra própria, na seção 738(a)(3) do FD&C Act, e não prevê exceção para produtos pediátricos. As únicas exceções da lei são para estabelecimentos de entes governamentais (desde que o dispositivo não seja distribuído comercialmente) e o waiver por dificuldade financeira de pequenas empresas — aquele caso estreito, de receita até US$ 1 milhão, que detalhamos no artigo sobre as taxas do FDA.
Vale reforçar também que o status de small business, mesmo quando concedido, não reduz a taxa anual de registro — ela é cobrada pelo valor cheio de todos.
Na prática: você submete o 510(k) pediátrico sem pagar nada ao FDA pela revisão, mas, para vender, paga a anuidade de US$ 13.785 como qualquer outra empresa.
1. Indicação que inclui adultos. A lei exige que as condições de uso propostas sejam solely — exclusivamente — para população pediátrica. Uma indicação do tipo “pacientes a partir de 12 anos”, sem limite superior, alcança adultos e derruba a isenção. A redação das Indications for Use é, literalmente, o que define se a taxa é zero ou US$ 28.653.
2. Ampliação posterior para adultos. A própria lei trata disso: quem obteve a isenção e depois apresenta um suplemento propondo uso adulto passa a pagar a taxa correspondente. No caso do 510(k), incluir indicação para adultos exige uma nova submissão, sujeita à taxa vigente no ano fiscal em que for recebida.
3. Confundir isenção com dispensa de requisitos. A isenção é só financeira. O nível de exigência técnica continua o mesmo: demonstração de equivalência substancial a um predicado, com o mesmo uso pretendido, e todos os dados de desempenho e segurança aplicáveis.
Em dispositivos pediátricos, aliás, a avaliação técnica tende a ser mais exigente, porque o FDA espera que o projeto considere as particularidades dessa população: tamanho e anatomia do paciente, crescimento e desenvolvimento ao longo do tempo de uso, biocompatibilidade, dose de radiação quando aplicável e o ambiente real de uso.
Para escrever uma indicação pediátrica sólida, o caminho é olhar o que o FDA já liberou: dispositivos do mesmo product code com indicação pediátrica, o texto exato das Indications for Use de cada um e o histórico do fabricante.
Essa pesquisa exige cruzar várias bases do FDA. No QARACloud, plataforma de inteligência regulatória que desenvolvemos sobre os dados oficiais do FDA, dá para buscar product codes, regulamentos do 21 CFR e 510(k) em um só lugar, visualizar a cadeia de predicados e exportar os resultados.
Teste o QARACloud grátis por 3 dias, sem cartão de crédito: www.qaracloud.com
Para quem desenvolve dispositivos destinados a crianças e adolescentes, a isenção pediátrica elimina um dos maiores custos de entrada no mercado americano: a taxa de revisão do 510(k). O benefício é automático no sentido de não depender de porte ou de faturamento — mas depende inteiramente de como a indicação de uso é redigida, e não dispensa a anuidade de registro nem reduz o rigor técnico da submissão.
Na BHP Consulting, avaliamos o enquadramento do seu produto, redigimos as indicações de uso, preparamos a submissão 510(k) no formato eSTAR e atuamos como US Agent da sua empresa perante o FDA. Se você tem um produto pediátrico em desenvolvimento, vale conferir esse enquadramento antes de orçar a submissão — a diferença é de quase US$ 29 mil.
Este artigo reflete a seção 738 do FD&C Act e as taxas do ano fiscal de 2027 publicadas pelo FDA. Os valores mudam a cada ano fiscal e o enquadramento depende das condições de uso propostas — confirme sempre com o FDA antes de submeter.
Fale com nossos especialistas em FDA, Health Canada, Marcação CE, ANVISA e UDI. Respondemos em até 24 horas úteis.
Falar com a BHP Consulting